A representação importa! Ou seja, a representação tem efeitos, para o bem ou para o mal; tem efeitos negativos ou positivos para poucos ou para a maioria; para certos grupos específicos ou para uma pluralidade de grupos. Tudo depende de número de representantes e de como a representação é feita, principalmente, com quem e para quem.
Estudos especializados sobre a participação e a representação política das mulheres demonstram que taxas mais elevadas de participação de mulheres em cargos de liderança política correlaciona-se diretamente com aprovação de leis mais inclusivas e equitativas em termos de género, bem como com um melhor crescimento económico.
A realidade de vários países revela que líderes mulheres têm maior probabilidade de priorizar a educação, a saúde e iniciativas sociais, promovendo a resiliência social. As principais constatações revelam que as mulheres no poder impulsionam mudanças políticas que removem barreiras legais ao acesso de oportunidades económicas e aumentam a participação na força de trabalho.
No texto anterior abordamos sobre o peso da representação das mulheres cabeças de listas do PAICV em termos do tamanho do eleitorado. Considerando os dados já publicitados na imprensa sobre as cabeças de listas do PAICV e tendo em conta os dados divulgado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativos à distribuição de mandados para os efeitos das eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, aqui, focamos o olhar sobre o peso da representação ou deputação das mulheres cabeças de listas desse partido perante a totalidade dos mandatos parlamentares legalmente definidos.
Observando os dados apresentados no gráfico acima, verifica-se que a esmagadora maioria das 5 mulheres cabeças de listas do PAICV, 4 (80%), estão nos círculos eleitorais pequenos de apenas dois mandatos, respetivamente, São Nicolau (Magui Silva), Boa Vista (Marisia Lima), Maio (Adelaide Brito) e África (Giselle de Almeida). Apenas 1 mulher (20%) cabeça de lista, nomeadamente Rosa Rocha, está num círculo eleitoral (Santo Antão) que podemos considerar de tamanho médio, que elege 6 deputados, considerando a realidade das circunscrições eleitorais de Cabo Verde.
Podemos constatar que, caso todas forem eleitas, as mulheres cabeças de listas desse partido resultarão num universo de apenas 5 deputadas líderes dos respetivos círculos eleitorais, equivalente 19,41% do Total de Mandatos a Ganhar (TMG), correspondente a 14 deputados a eleger, em 5 cinco círculos eleitorais, de um total geral de 72 mandatos parlamentares. Os homens somam 8 candidatos cabeças de listas desse partido, equivalente 80,55% do TMG, correspondente a 58 deputados a eleger em 8 círculos eleitorais.
As 5 mulheres cabeças de listas desse partido correspondem a 38,46% do total de 13 cabeças de listas, enquanto que os homens, em numero de 8, equivalem a 61,53% do total.
O universo de 5 mulheres cabeças de listas do PAICV corresponde a 6,94% do total dos 72 mandatos parlamentares, ao passo que os 8 homens cabeças de listas corresponde a 11,11% desse total.
A constatação final é que a configuração da distribuição de cabeças de listas entre as mulheres e os homens apresenta altas disparidades, desfavoráveis para as mulheres. Uma tal configuração poderá ter implicações não muito positivas para as políticas públicas que as mulheres deputadas poderão almejar implementar para o universo feminino.
Por: Daniel Henrique Costa, Cientista Político

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