11 abril, 2026

Peso de Mulheres Cabeças de Listas do MpD a Nível de Mandatos Parlamentares

 A representação importa! Ou seja, a representação tem efeitos, para o bem ou para o mal; tem efeitos negativos ou positivos para poucos ou para a maioria; para certos grupos específicos ou para uma pluralidade de grupos. Tudo depende de número de representantes e de como a representação é feita, principalmente, com quem e para quem. Estudos especializados sobre a participação e a representação política das mulheres demonstram que taxas mais elevadas de participação de mulheres em cargos de liderança política correlaciona-se diretamente com aprovação de leis mais inclusivas e equitativas em termos de género, bem como com um melhor crescimento económico. A realidade de vários países revela que líderes mulheres têm maior probabilidade de priorizar a educação, a saúde e iniciativas sociais, promovendo a resiliência social. As principais constatações revelam que as mulheres no poder impulsionam mudanças políticas que removem barreiras legais ao acesso de oportunidades económicas e aumentam a participação na força de trabalho. 

    No texto anterior abordamos sobre o peso da representação das mulheres cabeças de listas do MpD em termos do tamanho do eleitorado. Considerando os dados já publicitados na imprensa e no Website do partido sobre as cabeças de listas do MpD e tendo em conta os dados divulgado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativos à distribuição de mandados para os efeitos das eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, aqui, focamos o olhar sobre o peso da representação ou deputação das mulheres cabeças de listas desse partido perante a totalidade dos mandatos parlamentares legalmente definidos.

    Observando os dados apresentados no gráfico acima, verifica-se que as duas mulheres cabeças de listas do MpD estão nos círculos eleitorais pequenos de apenas dois mandatos, respetivamente, em São Nicolau (Eneida Morais) e  Brava (Ivone Cardoso).

    Podemos constatar que, se forem eleitas, as mulheres cabeças de listas desse partido resultarão num universo de apenas 2 deputadas líderes dos respetivos círculos eleitorais, equivalente 5,55% do Total de Mandatos a Ganhar (TMG),  correspondente a 4 deputados a eleger, em 2 círculos eleitorais, de um total geral de 72 mandatos parlamentares. Os homens somam 11 candidatos cabeças de listas desse partido, equivalente 94,44% do TMG, correspondente a 68 deputados a eleger em 11 círculos eleitorais.

    As 2 mulheres cabeças de listas desse partido correspondem a 15,38% do total de 13 cabeças de listas, enquanto que os homens, em número de 11, equivalem a 84,61% do total.

    O universo de 2 mulheres cabeças de listas do MpD corresponde a 2.77% do total dos 72 mandatos parlamentares, ao passo que os 11 homens cabeças de listas desse partido corresponde a 15,27% desse total.

    A constatação final é que a configuração da distribuição de cabeças de listas entre as mulheres e os homens apresenta enormes disparidades, desfavoráveis para as mulheres. Uma tal configuração poderá ter implicações não muito positivas para as políticas públicas que as mulheres deputadas poderão almejar implementar para o universo feminino.

Por: Daniel Henrique Costa, Cientista Político 

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