A representação importa! Ou seja, a representação tem efeitos, para o bem ou para o mal; tem efeitos negativos ou positivos para poucos ou para a maioria; para certos grupos específicos ou para uma pluralidade de grupos. Tudo depende de número de representantes e de como a representação é feita, principalmente, com quem e para quem. Estudos especializados sobre a participação e a representação política das mulheres demonstram que taxas mais elevadas de participação de mulheres em cargos de liderança política correlaciona-se diretamente com aprovação de leis mais inclusivas e equitativas em termos de género, bem como com um melhor crescimento económico. A realidade de vários países revela que líderes mulheres têm maior probabilidade de priorizar a educação, a saúde e iniciativas sociais, promovendo a resiliência social. As principais constatações revelam que as mulheres no poder impulsionam mudanças políticas que removem barreiras legais ao acesso de oportunidades económicas e aumentam a participação na força de trabalho.
No texto anterior falamos acerca do género e peso de cabeças de lista da UCID no eleitorado. Considerando os dados já publicitados na imprensa e na página do Facebook do partido sobre os seus cabeças de listas e tendo em conta os dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativos à distribuição de mandados para os efeitos das eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, no presente texto, focamos o olhar sobre o peso da representação ou deputação de cabeças de listas desse partido perante a totalidade dos mandatos parlamentares legalmente definidos.
Observando os dados apresentados no gráfico acima, verifica-se que a única mulher cabeça de lista da UCID, Adalgisa Monteiro, equivale a 10% dos cabeças de listas do partido.
Liderando o segundo maior círculo eleitoral do país, Santiago Norte, se a Adalgisa Monteiro for eleita, será a única líder de círculo eleitoral desse partido, equivalente 7,14,% do Total de Mandatos a Ganhar (TMG), correspondente a 14 deputados a eleger naquele círculo. Um eventual da mesma equivaleria a 1,38% do total geral de 72 mandatos parlamentares.
São 9 homens candidatos a liderar as listas da UCID, equivalente 90% dos 10 cabeças de listas do partido. Homens cabeças de listas equivalente a 13,63% do TMG, correspondente a 66 deputados a eleger em 10 círculos eleitorais. Esses homens líderes das listas, caso forem eleitos, equivalerão a 12,5% do total geral de 72 mandatos parlamentares.
A constatação final é que a configuração da distribuição de cabeças de listas entre as mulheres e os homens apresenta enormes disparidades, desfavoráveis para as mulheres. Uma tal configuração poderá ter implicações não muito positivas para as políticas públicas que as mulheres deputadas poderão almejar implementar para o universo feminino.
Por: Daniel Henrique Costa, Cientista Político

Sem comentários:
Enviar um comentário