21 abril, 2026

Género e Peso de Cabeças de Listas da UCID a Nível de Mandatos Parlamentares

A representação importa! Ou seja, a representação tem efeitos, para o bem ou para o mal; tem efeitos negativos ou positivos para poucos ou para a maioria; para certos grupos específicos ou para uma pluralidade de grupos. Tudo depende de número de representantes e de como a representação é feita, principalmente, com quem e para quem. Estudos especializados sobre a participação e a representação política das mulheres demonstram que taxas mais elevadas de participação de mulheres em cargos de liderança política correlaciona-se diretamente com aprovação de leis mais inclusivas e equitativas em termos de género, bem como com um melhor crescimento económico. A realidade de vários países revela que líderes mulheres têm maior probabilidade de priorizar a educação, a saúde e iniciativas sociais, promovendo a resiliência social. As principais constatações revelam que as mulheres no poder impulsionam mudanças políticas que removem barreiras legais ao acesso de oportunidades económicas e aumentam a participação na força de trabalho.

    No texto anterior falamos acerca do género e peso de cabeças de lista da UCID no eleitorado. Considerando os dados já publicitados na imprensa e na página do Facebook do partido sobre os seus cabeças de listas e tendo em conta os dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativos à distribuição de mandados para os efeitos das eleições legislativas de 17 de Maio de 2026, no presente texto, focamos o olhar sobre o peso da representação ou deputação de cabeças de listas desse partido perante a totalidade dos mandatos parlamentares legalmente definidos.

    Observando os dados apresentados no gráfico acima, verifica-se que a única  mulher cabeça de lista da UCID, Adalgisa Monteiro, equivale a 10% dos cabeças de listas do partido.

    Liderando o segundo maior círculo eleitoral do país, Santiago Norte, se a Adalgisa Monteiro for eleita, será a única líder de círculo eleitoral desse partido, equivalente  7,14,%  do Total de Mandatos a Ganhar (TMG),  correspondente a 14 deputados a eleger naquele círculo. Um eventual da mesma equivaleria a 1,38% do total geral de 72 mandatos parlamentares.

    São 9 homens candidatos a liderar as listas da UCID, equivalente 90% dos 10 cabeças de listas do partido.  Homens cabeças de listas equivalente a 13,63% do TMG, correspondente a 66 deputados a eleger em 10 círculos eleitorais. Esses homens líderes das listas, caso forem eleitos, equivalerão a 12,5% do total geral de 72 mandatos parlamentares.

    A constatação final é que a configuração da distribuição de cabeças de listas entre as mulheres e os homens apresenta enormes disparidades, desfavoráveis para as mulheres. Uma tal configuração poderá ter implicações não muito positivas para as políticas públicas que as mulheres deputadas poderão almejar implementar para o universo feminino.

Por: Daniel Henrique Costa, Cientista Político 

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